Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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Local: Porto Alegre, RS, Brazil

domingo, junho 19, 2005

Vários

    E aí, galera!

    Valeu pelos comentários, passo a conversar a respeito. Essa é a idéia da coisa aqui, agradeço a todos (principalmente aos que se identificam, claro).

    Vou começar com os comentários lá do "Coisas que Aprendi", logo abaixo:

"Não sei se errar sem pedir desculpas é ser considerado humano...Pelo menos para mim não faz sentido algum.
O pedido de desculpa é uma forma de se redimir, até mesmo quando não se pretende reparar totalmente o erro. É o simples fato de reconhecer que errou que te torna humano e demostra o mínimo de compaixão por quem te considerou positivamente em algum momento"


    O pedido de desculpas é sempre uma forma de se redimir? Não pode ser para aliviar a própria dor, também? A própria culpa?

    Nunca erraste sem pedir desculpas?

    E se te consideras correta, e todos os outros acham que estás errado(a)? Estás errado(a)? E, se estiveres, o fato de não pedir desculpas por isso te descaracteriza como humano(a)?

    E, se não reconheço meus erros, deixo de ser humano? O que eu me torno? ...?

    Se mudares para a 'capacidade de reconhecer os erros', aí até posso concordar. A capacidade de reconhecer os erros pode ser algo essencialmente humano. Mas reconhecer um erro não implica em pedir desculpas. Nem em se arrepender - atenção nisso.

    Quanto à compaixão: pelo teu raciocínio, se eu não tenho compaixão, não sou 'humano'. Sinceramente: isso, para mim, soa católico demais. Cuidado com valores católicos impregnados em raciocínios. São valores que, exatamente, pressupõem raciocínios.

    Então, se eu excluir qualquer tipo de compaixão da minha personalidade, eu deixo de ser humano? Eu posso até me tornar um ser humano mal, ou um mau ser humano, mas por que eu deixo de ser humano?

    Sinceramente: ainda que se possa dizer que compaixão seja um traço de personalidade essencialmente humano, não acho que seja o que me 'torna' humano - excetuando-se uma visão cristã (e muito restrita).

    E aí vem meu outro comentário (desculpa se foi muito curto): "E a crueldade não é essencialmente humana?

    Sim, porque considero a crueldade uma característica tão humana quanto a compaixão. Outra vez: a não ser na acepção católica, em que dizemos estarmos sendo 'desumanos' quando somos cruéis. Sim, somos desumanos, mas não deixamos de ser humanos - pelo contrário.

    São duas acepções completamente diferentes da palavra 'humano' (dentre muitas possíveis de serem levantadas); e eu prefiro afastar a que tende a nos ver como um rebanho de ovelhas. Até porque, entre elas, há os pastores (para bom entendedor, meia palavra basta).

    Sobre a crueldade, outro comentário: "É humana, enquanto o humano age, de certa forma, irracionamente...Reconhecer o erro é como voltar à razão, porém, vc deve tirar algum valor dele."

    Então quer dizer que eu não posso, racionalmente, errar? Não posso ser racional e, ao utilizar minha razão, errar?

    Olha... a primeira coisa que me vêm à cabeça nesse raciocínio é 'terapia de casais'. Não podes tentar ao máximo fazer a coisa certa e, ainda sim, errar?

    E não posso, nesse contexto, e tendo racionalmente errado, agir irracionalmente e, de forma passional, abrir mão das minhas convicções e pedir desculpas ao parceiro? Posso. E isso não é humano? Nâo acontece dia-a-dia? Estarei fazendo o contrário do que sugeriste: sendo racional no erro e irracional nas desculpas.

    E cai por terra o que falaste.

    Outro (sobre frase que escrevi no orkut): "Errar é contigente, insistir no erro é humano... eu não vejo as coisas assim. Só para movimentar um pouco. :P

    Agradeço a iniciativa. Mas não quero ficar explicando: isso não é uma frase científica, mas artística. Sem querer entrar em teorias estéticas, acho o bonito da arte justamente a capacidade de marcar a cada um de uma forma. Então, por que não dizes como vês as coisas (se não assim), e conversamos a respeito?

    Último, sobre o último post: "A crise moral também é sua?"

    É uma pergunta bem complexa de ser respondida. Eu diria que sim, e simplesmente porque não fiz a opção de nenhum 'pacote moral'. Não sou comunista ou liberal sem dúvidas. Não sou católico ou budista por inteiro. Eu não tenho uma resposta para todas as perguntas 'certo ou errado' que podem surgir.

    Logo, sim, a crise moral é minha. Eu sou uma crise ambulante. Posso discutir várias teorias morais aqui, e o porquê disso, mas é fato. Aceito visões diversas (e explicaria e exemplificaria algumas, mas não estou com saco), mas fato é que eu simplesmente não tenho certeza. Não sei se o aborto deve ser legalizado em qualquer circunstância. Não sei se ligação induzida de trompas é um caminho ético. Não sei se algumas guerras (por exemplo, uma guerra contra a injustiça) podem ser facilmente justificadas. Não sei. Simplesmente não sei.

    Mas a pior crise não é essa. A crise pior é que, assim como eu, ninguém sabe - mas todo mundo tem opinião.

    Ok, alguns céticos (como eu seguidamente me auto-intitulo) podem dizer: "não sei se o casamento homossexual é ético ou não, mas nem quero. Eu elegi algum político, e ele que decida por mim" (ainda que, na prática, quem decide é o juiz - não-eleito e que, muitas vezes, nem sabemos como pensa). Mas isso não é problema: o não se importar é uma liberalidade que não causa tanto dano (ao contrário do que alguns pregam, depreciando a alienação).

    O que causa dano é quem age como se soubesse. Quem age como se fosse o dono da verdade. Quem não está aberto ao debate.

    Não se discute mais a respeito de possibilidades. É uma questão de pontos de vista opostos - e um cabo de guerra. Foda-se a dialética, isso é coisa de 2.500 anos atrás!

    Aliás, os debates já não são nem sinceros mais. Mas isso é um ponto longo a ser discutido.

    Mas quer saber quem me incomoda mais ainda? Os que sequer enxergam tudo isso. Os que estão trabalhando, dirigindo, amando, tomando uma cerveja - e não estão sequer se dando conta de que há problemas a serem resolvidos.

    Veja bem: não é uma questão de não querer resolvê-los, é não saber e ver que existem (às vezes por ignorância, às vezes porque acha que já está resolvido, que não há o que resolver - um 'dono da verdade' um pouco mais exacerbado).

    Esse pra mim é o problema. Porque ele perde o respeito. Ele deixa de respeitar a sociedade, e deixa de respeitar ao próximo. Afinal, não há problema, não é mesmo?

    Claro que esses pensamentos precisam de muito mais profundidade. Há umas quantas falácias aí, eu sei. Umas quantas conclusões e induções sem premissas. Há, enfim, uma boa dose de 'achismo'. Mas, afinal: isso aqui é um blog, não uma publicação acadêmica. Se eu não tiver aqui para 'chutar' e meus amigos para críticas construtivas, vou fazer o que da vida, afinal?!?!?


ps: eu sei que nada disso que eu falei justifica, no final, o fato de eu estar em crise. Mas é que: (1) de uma forma ou de outra, como vivo em uma sociedade (ou tento), esses problemas me afetam. E muito mais diretamente que muitos pensam serem afetados; (2) eu simplesmente não consigo ser egoísta e individualista o suficiente para não me sentir mal pelo problema em geral.






sexta-feira, junho 17, 2005

Crise moral

     "(...) é para observar que o eu moderno típico, o eu emotivista, ao alcançar a soberania em seu próprio domínio, perdeu seus limites tradicionais proporcionados por uma identidade social e uma visão da vida humana como ordenada a determinado fim."

MacIntyre, em 'Depois da Virtude', Cap. II.






sábado, fevereiro 26, 2005

Decisões

    O som dos passos na calçada molhada lhe incomodava. Era um andar lento, e o solado de couro sobre a água que escorria começava a encharcar-se. O sobretudo de lã, com a gola levada a proteger-lhe o pescoço, pesava. Via poucos metros à frente, graças à aba do chapéu de feltro, de onde escorria um maldito fio d´água, direto ao seu nariz – e os seus ossos começavam a enrijecer-se.

    Os passos eram lentos e firmes. Mão nos bolsos, a concentração não lhe faltava: todo o espetáculo que lhe trazia desconforto levava ao clima desejado. A fúria que vinha sorrateira tinha um objetivo definido, e não seria com o prefeito a deixar as calçadas enlameadas que iria descarregá-la.

    Chegando no local desejado, pôs-se a olhar em volta. A situação era perfeita, o mundo parecia conspirar para que seu plano desse certo. A tensão dos seus músculos era a ideal, o sangue nos olhos não mais que o necessário para dar o passo à frente. A água gelada que se enfiltrava por suas grossas roupas e corria pelo seu corpo espantara da rua todos os passantes. Só restava ele.

    Avistou, no lugar de costume, a viatura da polícia. Apertou os olhos, esfregou-os, mas a chuva não lhe deixava ter certeza. Por alguns momentos, fitou aquele carro parado embaixo da marquise, procurando mentalizar o que sucederia. Já tinha certeza: havia apenas um guarda à vista.

    Desabotoou lentamente o casaco, passou a mão pesada lentamente pela barriga, até achar seu coldre, ao lado esquerdo do peito. O metal frio nos dedos lhe causou um calafrio na espinha, como nunca antes sentira. Era a hora, era chegado o momento da verdade.

    Ele sabia que sim, mas seu corpo não queria. As imagens de seu pai lhe chamando de covarde torturavam sua cabeça. Ora lhe traziam medo, ora lhe davam a raiva necessária para prosseguir. Aquela pistola começou a se fazer pesada e, mesmo com a mão trêmula e insegura, procurou envolver o cabo e sacar a arma.

    Tinha em sua mão a pesada 9mm de seu pai, praça na II Guerra, herdada por sua morte. Desde pequeno aprendera a atirar, a manuseá-la, e passou a infância ouvindo: “isto é um artefato com uma finalidade bem definida: matar”. Com uma calma incomum – pensava ter todo o tempo do mundo -, conferiu se estava municiada. Uma tristeza profunda lhe frouxava as pernas, enquanto um pequeno sorriso de ternura se formava em sua face.

    Carregou a arma. Sentia sua alma leve e seu corpo pesado. Suas mãos tremiam, e o barulho de metal que vinha da pistola lhe deixava ainda mais nervoso. Não tinha pressa, contudo: toda a sua vida estava naquele momento.

    Cercado pela situação, ouviu uma voz, ao fundo, lhe fazer alguma pergunta. Em seguida, ouviu-a ordenar-lhe que largasse a relíquia que tinha nas mãos. Chegou a sorrir, como se lhe fora uma piada sem graça. Ouviu o sino da igreja de uma pequena cidade distante ecoar, e sabia que era chegada a hora – já esperava aquele momento.

    Tinha os ombros prostrados, uma postura de melancolia apática. Respirou fundo. Nenhum ar que conseguia obter parecia ser suficiente para passar-lhe o frio na espinha. Fitava o instrumento que levava à mão, enquanto do cano escorria água. Enquanto a chuva lhe lavava a alma. Em um profundo suspiro, se despediu.

    Maldita raiva que lhe fugira, só fazia tremer. Não lhe restava outra alternativa, ou a teria escolhido! Voltou a erguer os olhos, e notou que só havia os dois naquela rua: ele, e o jovem policial que lhe questionava com o olhar, a mão no coldre e uma expressão de pânico. O remorso já lhe tinha tomado, mas não havia jeito: ergueu a arma lentamente, enquanto ouvia as ameaças torpes do seu oponente. Quando terminou de fazer a mira, o garoto lá lhe apontava o pequeno .32, segurando-o com as duas mãos inquietas. Não podia ver qual dos dois era mais patético, ou estava mais apavorado ou nervoso, e já não lhe importava, pois estava feito.

    A paz de dever cumprido lhe tomou a alma, o suspiro mais profundo que já dera na vida lhe lavou as mágoas. Sem seus erros, a vida não lhe sobrava, e sua efêmera existência já se fazia triste. Só aguardava o último aviso, que lhe demorou minutos, quem sabe horas, para que fosse dado. Até que o policial puxou o gatilho.

    Já tinha os olhos fechados, esperava o impacto, feliz com deus. O som da chuva lhe era a melhor música que já ouvira. Tinha na face satisfação, e, nos lábios, um sorriso. O tempo seguia passando, aquele imenso relógio distante não parava de se mover. Abriu os olhos e viu o policial, sem saber como reagir, puxando novamente o gatilho. Mas a pólvora ensopada se negava a disparar.

    Inundado por uma profunda decepção com o destino, levou o cano da pistola à cabeça. Novamente ergueu o queixo, fechou levemente os olhos, estufou o peito. Mas nenhum ar era suficiente para lhe trazer a vida de volta. Ouvia de longe as súplicas de quem agora era seu colega, abafadas pelo som da água despencando por todos os lados, lhe cercando naquele mundo que criara. Sua alma já estava lavada, mas aquela que veio para lhe trazer redenção lhe traíra.

    Caiu de joelhos, jogou a arma ao chão, pôs-se a chorar. Queria ter usado a herança de seu pai para alguma finalidade que o velho quisera, mas não tinha coragem para fazer por si mesmo. Voltou a ver as imagens, e se deu conta de que aquele desgraçado sempre teve razão. E, agora, não lhe dava outra escolha, senão aguardar que a vida escoasse.






terça-feira, fevereiro 22, 2005

Errata:

    Somos tão-somente um apanhado de memórias, sensações e desejos, com uma estranha - e ainda misteriosa - capacidade de articular dados entre uns e outros.

ps: quem era eu para desdenhar um arco-reflexo? Frisando que reflexo condicionado não é nada mais que um desejo aliado à uma memória repetida.






segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Nós

    Somos tão-somente um apanhado de memórias e desejos, com uma estranha capacidade de articular dados entre uns e outros.






sábado, fevereiro 19, 2005

Velocidade ao acaso.


Não resisti. Essa foto foi tirada hoje, no Audax 200 - no qual ajudei a organização como batedor.

O fotógrafo estava lá para bater fotos do evento - leia-se: dos ciclistas... mas acabou me enquadrando nessa aí!

Se quiser, clica nela que aumenta um pouco.






quinta-feira, fevereiro 17, 2005

...

    Falei que ia revisar o texto, mas nem o farei. Ninguém pense que não me sinto mal escrevendo aqui aquele tipo de obviedades. Aliás, eu já tinha me desculpado por isso antes.

    É que certas coisas ficam entaladas na garganta mesmo. Anos. E sempre há quem pise nos calos.

    Ontem ainda vi uma frase bonita em um filme: "as pessoas nunca amadurecem, apenas se cansam". Talvez eu esteja me cansando de algumas coisas.

    E pensar que uma galera ganha dinheiro vendendo livros com esses clássicos 'lugares-comuns'.

    Fato é que desejar e ter expectativas não é, e nunca vai ser, o mesmo que planejar e lutar. E não há quem me convença do contrário - nem mesmo a maior religião do mundo como o conhecemos.

    Aliás... religiosidade é toda uma outra história. Questão de prática, não de desejo... e ih, há pano pra manga...






terça-feira, fevereiro 15, 2005

À luta

    Um dia ainda vou entender por que tenho tanta resistência às pregações tipicamente católicas. Por exemplo, as idéias de que "não existe tempestade que para sempre dure" e de que "sofrimentos são nuvens passageiras". Não consigo aceitar o entendimento de que, ao 'deixarmos na mão de deus', seremos felizes. Pior ainda: aceitar que, se há sofrimento, é voltade dele, e devemos aceitá-lo - pois ele 'escreve certo por linhas tortas'.

    Não é como vejo. Não é como consigo ver.

    Para mim, a felicidade decorre de garra, de luta. De suor e sangue. Nada vem de graça, nem mesmo as pessoas que amamos. De todos relevamos falhas e defeitos, suportamos deslises, superamos desentendimentos e desavenças, choramos - tudo em nome da felicidade, do bem-estar.

    Se dinheiro trouxesse felicidade, bastava ganhar na loteria. Mas ver o sorriso dos que amamos não tem preço, e decorre de esforço. Não basta sermos quem somos e esperar resultados, é preciso buscar os resultados. Nossas conquistas diárias, sejam quais forem, são alcançadas carregando pedras, e não torcendo para que elas se movam.

    O católico luta, pois o trabalho dignifica o homem. Mas luta porque é um fardo a ser carregado, enquanto a felicidade é vontade divina - e vem em retribuição por alguma lógica extra-dimensional que nunca compreendemos ao certo. Eu luto porque quero, luto porque busco recompensa, sim: a satisfação pelo resultado que eu alcançar com meu sangue derramado.

    Dos dias em que fui covarde, não me orgulho. Da felicidade que deixei de alcançar por não ser forte - reconheço meu erro, e suporto minhas dores. Não porque deus quis assim, mas porque eu o fiz, deixando de empunhar a foice com a tenacidade necessária.

    Nossa realização é proporcional à força do espírito (e, muitas vezes, à teimosia dele em seguir lutando).

    ps: revisarei o texto, foi escrito com pressa.






domingo, fevereiro 13, 2005

Coisas que aprendi

    Depois de pensar um pouco na vida, resolvi alterar algumas coisas no meu perfil naquele tal de Orkut, dentre elas "Coisas que aprendi com meus relacionamentos anteriores". Escrevi lá, resolvi publicar aqui também. Não é tudo, mas o resto escorre com o tempo - isto fica:

------------------

    "Aprendi que diálogo é tudo. Estar disposto a se abrir e, principalmente, a ouvir, é o que há de mais importante entre duas pessoas - sejam quem forem. Às vezes as palavras vêm tarde demais, mas sempre merecem ser ouvidas quando partem do coração.
    Aprendi que sou muito menos do que quem me idolatra e idealiza pensa; mas sou muito, muito mais do que pensam os que me depreciam.
    Aprendi que a verdade é relativa, e só a vê quem quer. E pouquíssimos querem.
    Aprendi que vive de mentiras não só quem mente, mas também quem se fecha e se nega a enxergar a verdade.
    Aprendi que investir, de coração, não dói. Jamais.
    Aprendi que erro muito. Mas esses erros não me fazem um ser humano pior, mas apenas mais humano. E quem sabe me respeitar enquanto humano, e não enquanto estereótipo do que quer que seja, é quem merece estar na minha vida.
    Aprendi que não me encaixo nos planos e desejos de ninguém. Quem me amar, construirá novos planos comigo, levando em consideração quem eu sou - e não quem eu deveria ser.
    Aprendi que não aceitar um pedido de perdão dói muito mais em quem o nega do que em quem o pede. E é uma dor que não passa.
    E aprendi, acima de tudo, que os que sabem ouvir um sincero pedido de desculpas são as pessoas mais iluminadas que há. Porém são poucos, muito poucos, que sabem pedir desculpas sinceramente."






sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Resposta ao comentário do meu verdadeiro 'eu' =)


      "haha...vc sempre foi bom de discurso..."
      Obrigado, também acho. Por isso escolhi a profissão que escolhi. E receber apoio assim nos caminhos em que optamos percorrer é sempre bom.

      "mas até suas discussões não parecem mais do q simples joguinhos de lógica."
      Até onde vi, um 'simples joguinho de lógica' foi suficiente para acabar com o teu argumento. Se queres discutir algo além de formalidades, escreva com conteúdo.

      "Não vou escrever mais, seja feliz no seu 'teatrinho grego'".
      Se não tiveres o que acrescentar, por favor, não escreva mesmo. Abri este espaço como oportunidade de diálogo, conversa, conhecimento e crescimento. Se só tens comentários vagos, especulativos e de mal-gosto, realmente, não és muito bem-vindo(a) - e muito menos necessário(a).
      Quanto ao 'teatrinho grego': se só disseste isso porque mencionei uma possível óptica grega ao tema que discutíamos, tenho pena de ti. Se, de outro lado, comparaste algum traço do meu comportamento com caracteres dessa arte helênica, sinta-se à vontade para acrescentar alguma coisa. Até porque me interesso bastante por aquela cultura, sobretudo devido ao seu valor filosófico.


      "ps.: 'É uma pena que às vezes nem pedidos sinceros, diretos e educados funcionem.'rsrs...vindo de quem vem...'tocante'...rs"
      Não era para ser tocante, era para ser eficaz.
      No entanto, se quem comenta não tem coragem de, no mínimo, se identificar, se escondendo atrás de um nick bobo na internet para fazer insinuações e afirmações vagas e infantis, não é um pedido meu que vai ter efeito mesmo - questão de caráter.






quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Seguindo no vazio

    É uma pena que às vezes nem pedidos sinceros, diretos e educados funcionem.

    Enfim, indo ao assunto: me deste pelo menos duas definições diferentes para uma 'pessoa vazia', e mais de um enfoque a cada uma dessas definições. Eu diria que fizeste isso porque não sabes direito do que estás falando, embora tenhas alguém para 'visualizar'. Ou seja: estás pensando em alguém e tentando descrever as características dessa pessoa, para ti, 'vazia'. Descrever características é muito diferente de definir.

    Fiquei me perguntando: a tal pessoa vazia é quem se encaixa nos dois conceitos que citaste? Ou só em um já é suficiente? O engraçado é que, pelo que notei, são elementos excludentes. By the way: adoro paradoxos.

    "pessoa vazia: aquela que faz de tudo para ser enquadrada em algum tipo de estereótipo". Essa é uma definição interessante. E é um velhíssimo clichê, também - aliás, infelizmente eles nunca saem de moda. Dessa tua frase, podemos inferir que é uma pessoa somente preocupada com o que os outros vão pensar dela. Ela não quer viver um estereótipo (o que, em muitos casos, pode ser até muito bom), mas somente ser enquadrada em algum. Ficamos assim: alguém somente preocupado na imagem a qual está passando aos outros, e como está sendo vista por estes. Cool.

    "aquela que por mais q alguém tenha tentado se aproximar, ajudar, enxergar algo além da "casca" torna todos os esforços inúteis". E esta agora? Por que isso é ser alguém vazio? Não pode, então, uma pessoa não querer que alguém se aproxime, sem ser vazio? E não pode (indo além da tua frase) não querer que ninguém se aproxime, sem ser vazio? Discordo de ti. Acho que pessoas muito ricas e extremamente complexas podem querer impedir que outras se aproximem. E o que citaste não me parece estar diretamente ligado com alguém 'vazio'. Pode ser alguém reservado, solitário. Alguém tímido. Ou alguém que, simplesmente, não quer ser ajudado - talvez até porque ache que não precisa. Por que isso é ser vazio? Estarias depreciando todas as suas qualidades?

    "Aquela q não fica feliz enquanto não leva pisada e ouve q no fundo ela não vale a pena". Essa é OUTRA definição, diferente da primeira (a segunda desconsiderei, e assim manterei, se não me mostrares o contrário). Não era quem queria ser enquadrado em algum estereótipo? As duas definições são necessariamente excludentes.

    Esta segunda também é uma definição possível, embora eu não concorde. Por que essa pessoa seria vazia? É possível nomear muitas características, algumas até depreciativas, para uma pessoa que se comporta dessa forma. Mas eu não usaria 'vazia' como um desses adjetivos. De novo: só porque uma pessoa está querendo ser 'pisada', ou querendo ouvir que ela não vale a pena, estás desconsiderando todas suas outras características? Estás tu desprezando todas as suas qualidades? Pelo que vejo, pode ser uma pessoa extremamente 'rica' (usando como antônimo de 'vazia'), mas que tem esse, digamos, defeito. Querer ser tratada assim joga todas as pessoas que assim se sentem em uma 'vala comum', de 'pessoas vazias'? Ao meu ver, seria no mínimo injusto. E uma visão um tanto superficial, também. Aliás, exatamente como comentei da primeira vez - falta de querer olhar o resto, o que mais há.

    "Sim, para enxergar o vazio é preciso olhar "com viés" para a pessoa. E alguém vazio faz de tudo para que seja assim". Aqui, retomas a primeira definição. No entanto, é um argumento um tanto cíclico: uma pessoa vazia é a que faz de tudo para que enxergues o vazio nela. Então alguém não-vazio, mas que quer ser vista como vazio, é vazio? Tirando o aposto: alguém não-vazio é vazio? Acho que não.

    Fazendo uma força, até posso entender o que quiseste dizer. Pessoa vazia é a que faz de tudo para ser enquadrada em um estereótipo e, assim, ser vista como alguém vazio. Legal. No entanto, algumas objeções:

    1 - uma pessoa que só se preocupe com aparência. Só. Nada mais nesse mundo importa. Mas ela não faz isso para ser enquadrada em algum esteriótipo, faz apenas para... ficar bonita! Nem que seja para ela mesma. E só. E acha que isso é a vida, em sua totalidade. Pelas tuas descrições, essa pessoa não é vazia. Estou certo?

    2 - basta para alguém ser vazio querer ser visto como tal? Na minha opinião, a pessoa fazer de tudo para ser vista com viés não te isenta da culpa de a estar vendo com viés. Então, se sou inteligente e culto, mas faço força para que me enquadrem no estereótipo de, digamos, 'atleta', sou vazio? Volto a repetir: até posso ter lá alguma característica a ser considerada como 'defeito', mas acho que 'vazio' é um pouco amplo demais para definir uma pessoa assim. Por eu querer ser visto em um estereótipo ao qual não pertenço, perco todas as minhas qualidades? Será que não é falta tua não estar vendo as verdadeiras qualidades (e defeitos) da pessoa, ainda que ela tente te mostrar algo diferente? Continuo achando que não há subterfúgio perfeito para o olhar atrávés dos olhos. E eu disse isso justamente pensando no caso dos que tentam impedir esse olhar (procuram o subterfúgio).

    3 - Enfocando o teu argumento sob uma óptca grega: se eu SOU inteligente, e faço de tudo para que os outros me vejam com esse viés, e me enquadrem no estereótipo a que realmente pertenço, isso é ser vazio? Na nossa cultura, á primeira vista, pode parecer: poderia se dizer que é viver considerando 'o que os outros pensam'. No entanto, ao refletir um pouco mais, não seria apenas uma busca ao justo reconhecimento? O bom funcionário que quer ser visto como bom funcionário, o bom marido que age em busca do reconhecimento da esposa, o atleta que quer ser visto como um atleta - são pessoas vazias? Ou buscam apenas que os outros lhes vejam como são (ainda que sejam estereotipadas)?

    Poderia ficar divagando mais sobre o que disseste, mas acho que não é por aí. Hora de abrir para o diálogo - também estou aqui para aprender. Então, aguardo comentários.






terça-feira, fevereiro 01, 2005

Pessoas vazias

    É sempre legal ver gente nova por aqui. Justamente por seres alguém novo, vou te pedir (como já fiz antes) para não permaneceres no anonimato. Primeiro, porque a idéia é só um bate-papo entre amigos, então não há razão para se esconder. Segundo, porque me exponho bastante, e onde não há qualquer reciprocidade há um viés de injustiça - ou, ao menos, de desconforto. Se não quiseres te identificar para todo mundo, me manda um mail pra bater papo. Valeu.

    Bom, indo ao assunto, disseste: " E se se olhasse nos olhos e tudo q visse fosse o vazio...como explica?"

    Primeiro: o que é esse vazio? Eu não posso tentar conversar sobre algo que sequer me definiste o que é. Aliás: o que seria uma pessoa vazia? É alguém de personalidade fraca? Que só se preocupa com a aparência e dinheiro? Que não tem perspectivas? É alguém 'simples' (que demandaria, por si só, melhor definição)? Ou ignorante? Alguém cujos passatempos são bobos - ou que sequer tem um? Alguém que tenha qualquer dessas características, ou todas juntas?

    Gostamos muito de classificar coisas. E gostamos muito de tratar a quem não conhecemos como 'coisas'. Pior ainda é costumarmos passar muito tempo, e sermos muito próximos, de pessoas que não conhecemos.

    O que eu acho é que, se olharmos nos olhos de alguém, sempre veremos muito. Não há vazio em quem está vivo. Podemos ver simplicidade, podemos ver desilusão com a vida. Talvez burrice e futilidade, até; mas vazio, não.

    Falta-nos, em verdade, coragem de enxergar. Olhar é fácil, e, acredito piamente: se estás a ver vazio em alguém, estás olhando com algum viés. Enquadrar alguém em algum conceito é fácil também. Estereótipos existem há milhares de anos. Entender, compreender alguém, isso é que é difícil. Isso é que demanda esforço, vontade. Demanda ternura.

    Então acho que, se estás a ver vazio através dos olhos de alguém (e não vazio nos olhos ou um olhar vazio), não estás querendo enxergar o que há, de verdade, nessa pessoa: seja bom ou mau.






terça-feira, janeiro 25, 2005

Inconforme

Quem ler isso me surpreende. Não acredito que ainda tem gente que vem checar, depois de tanto tempo sem novidades. Mas notei pelo counter que ainda tem alguns que fazem isso - vão achar coisa melhor pra fazer!
Mas, enfim... há aí algumas letras de novidade...

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    Inconforme

    Não me conformo que o silêncio faça barulho demais.

    Não me conformo que a ausência abafe, sufoque.

    Ainda que nada tenha sentido, sinto.

    Sentir o que sinto não faz sentido, dentro das circunstãncias, isso sim.

    E fora delas, porque a inexistência de circunstâncias desfaz o momento.

    Não me conformo que a grandeza seja ínfima, e o que não há domine.

    Não me conformo em ser o criador. De tudo o que há.

    Se tens ainda uma gota de piedade, arranca-me a lágrima.

    Não me conformo em dormir todo dia pensando de uma cabeça que não sou eu.

    O que já fui e serei, isso qualquer um sabe.

    Mas o silêncio e a ausência, na circunstância, tira o sentido de sentir o que sinto, sufocado, abafado, ensurdecido, desfeito, dominado.

    Subjugado por tudo que não existe.

    E por espectros.

    Que um dia alguém veja. Porque ainda não inventaram subterfúgio perfeito para o olhar através dos olhos.






segunda-feira, dezembro 13, 2004

Compassion - as a Sympathetic Feeling

    Se tens ainda uma gota de piedade
    Arranca-me a lágrima
    Se o Sol ainda tivesse o que brilhar
    Inunda-me a alma
    Em um oceano de sentimentos
    Faz-me feliz

    Se fundo no ser urgem as trevas
    Não me traga a luz
    Se não sabes ainda o que fazer
    Afasta-te de mim!
    Se achas que vou de onde vim

    Ah, terra, lama, lodo

    Deixai-me, infiéis!