Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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quinta-feira, julho 22, 2004

Afago alemão

    Após alguns acontecimentos, bem que eu estava precisando de um pouco de Filosofia Clínica. Remando nas minhas leituras comuns e casuais, como disse a uma amiga: 'livros medíocres me dão sono'. Por acaso, resolvo passar com ela em uma livraria e não resisto a um pouco de literatura alemã - adquiri dois novos exemplares.

    Minha principal paixão pela filosofia é ela poder me mostrar o óbvio de uma forma óbvia. Teorias extremamente complexas são fantásticas, mas o verdadeiro impacto eu tenho quando me mostram o que está diante do meu nariz. E aí é que está a graça da coisa: pessoas medíocres, quando apresentadas à solução do problema, só sabem dizer - 'mas é claro', ou 'está na cara que é isso'. Como costumo exemplificar a quem me questiona, 'que as maçãs caem ao serem largadas, é óbvio; quem petrificou que os corpos se atraem na força proporcional às suas massas e inversamente proporcional à distância será para sempre considerado um gênio'.
 
    Ainda há pouco tive uma discussão severa com minha mãe, acerca das pessoas que deveria ou não deixarem se aproximar de mim, da minha vida. Também com outras pessoas já a tive - parecida - no sentido do porquê de escolher uma vida, se não solitária, ao menos 'reservada' (prefiro o segundo termo). Minha argumentação sempre foi no sentido de que a grande maioria das pessoas simplesmente não vale a pena, são peões de obra. Para resumir, detesto gente que não se questiona, gente que não tem brilho nos olhos quando surge qualquer coisa que não entendam perfeitamente. E a grande maioria das pessoas, ou têm vergonha de admitir - às vezes para si mesmos - que não sabem, ou têm preguiça demais de parar e raciocinar um pouco.
 
    Falo isso sem medo de fazer vocês se sentirem mal. Se estão lendo este texto é porque, de alguma forma, os estimo. Se o faço, é porque não estão incluídos na 'maioria'.
 
    Fato é que, em uma das minhas sessões, foi justo Nietzsche (tão criticado por mim) quem me esfregou na cara: "Não ver, não ouvir, não deixar muita coisa se aproximar - primeira mostra de inteligência, primeira prova do fato de que a gente não é um acaso, mas, sim, uma necessidade. (...) O ato de defender, de não-deixar-se-aproximar é uma despesa - ninguém se iluda a respeito disso -, uma força esbanjada para objetivos negativos. A gente pode, apenas na necessidade constante da defesa, ficar tão fraco a ponto de não conseguir se defender mais."
 
    E aí estava, a fórmula da gravidade esfregada na minha cara. Como se não bastasse, dolorido foi deduzir dela outras coisas, como a energia potencial, por exemplo.
 
    Juntamente com um elogio de inteligência vindo de alguém, no mínimo, inteligente, veio também a dor de saber que a privação é, sim, dolorida, incômoda. E nisso a 'Clínica' ajudou, e quem mesmo me deu o tapa me fez afago: "Sofrer por causa da solidão também é uma objeção - eu sempre sofri tão-só por causa da 'multidão'".
 
    De nada adiantaria só isso, se não fosse apresentada a solução: "Aquele que eu desprezo adivinha que é desprezado por mim: tão-só através da minha existência eu deixo indignado tudo aquilo que tem sangue ruim no corpo".
 
    Fato é que existem duas saídas: ou se desiste da virtude da inteligência - no sentido que Nietzsche a apresenta - de uma vez por todas e se cai no mar do 'comum', do 'ordinário', ou se desenvolve ela ao máximo, ao extremo - e se morre só e louco, como ele, pois a própria inteligência afastará os medíocres. Mas, talvez, nesse último caso, sem a dor da potência não explorada - glória - e sem a despesa de afastar, pela vida toda, quase tudo.