Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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quinta-feira, julho 29, 2004

Eu, Fernão

    "Era de manhã e o novo sol cintilava nas rugas de um mar calmo.

    A dois quilômetros da costa, um barco de pesca acariciava a água. Subitamente, os gritos do Bando da Alimentação relampejaram no ar e despertaram um bando de mil gaivotas, que se lançou precipitadamente na luta pelos pedacinhos de comida.

    Amanhecia um novo dia de trabalho.

    Mas lá ao fundo, sozinho, longe do barco e da costa, Fernão Capelo Gaivota treinava. A trinta metros da superfície azul brilhante, baixou os seus pés com membranas, levantou o bico e tentou a todo custo manter suas asas numa dolorosa curva. A curva fazia com que voasse devagar, e então sua velocidade diminuiu até que o vento não fosse mais que um ligeiro sopro, e o oceano como que tivesse parado, abaixo dele. Cerrou os olhos para se concentrar melhor, susteve a respiração e forçou ... só ... mais ... um ... centímetro ... de ... curva ... Mas as penas levantaram-se em turbilhão, atrapalhou-se e caiu.

     Como se sabe, as gaivotas nunca se atrapalham, nunca caem. Atrapalhar-se no ar é para elas desgraça e desonra.

    Mas Fernão Capelo Gaivota - sem se envergonhar, abrindo outra vez as asas naquela trêmula e difícil curva, parando, parando ... e atrapalhando-se outra vez! - não era um pássaro vulgar.

    A maior parte das gaivotas não se preocupa em aprender mais do que os simples fatos do vôo - como ir da costa à comida e voltar. Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para esta gaivota, contudo, o importante não era comer, mas voar. Antes de tudo o mais, Fernão Capelo Gaivota adorava voar ..."


Introdução da primeira parte do livro "Fernão Capelo Gaivota" de Richard Bach


    Não, este não é mais um post absorto, muito pelo contrário. Em vez de ler um texto que me tocou, assim me senti e busquei o texto. Abri o armário e revirei o pó. Achei vários e vários títulos interessantes, muitos e muitos nem tanto - mas não achei o que eu queria: minha edição do Fernão Capelo Gaivota.

    Li esse livro quando tinha 13 anos, pois era necessário para uma prova escrita referente à mudança de faixa no Karatê. Já à primeira vista, o texto me fascinou. Ele pode, sim, ser banalizado, pode dele ser dito que aceita analogia com quaisquer coisas e que, assim, não chega a ser válido. Mas pode, também, ser lido com o coração puro, ser visto com olhos de criança - como eu o olhei - e, assim, serem aprendidas algumas valiosas lições para a vida.

    Eu poderia fazer analogia com absolutamente qualquer coisa na vida (em algumas eu aplico aquelas idéias, em outras não). Ciclismo me parece a mais óbvia, por ser um esporte de pura determinação, que exige do corpo à exaustão em vários sentidos.

    No entanto, busquei o texto por ser mais um estado de espírito do que uma situação peculiar. Porque eu SOU assim, até mais do que o estado de espírito. E quero o mais. Quem me conhece bem sabe que sou extremamente perfeccionista (aliás, há tempos já não sei se isso é defeito ou qualidade). Se for para fazer alguma coisa, que eu faça muito bem feita - ou prefiro nem fazer. Não consigo me divertir ou me satisfazer com seja lá o que for, se isso não for feito com afinco, com dedicação, da melhor forma possível.

    Se for para exprimir uma situação metafórica, pode-se dizer que estiquei o braço "só ... mais ... um ... centímetro ... ". Acho que cheguei a tocar o coração com a ponta dos dedos, talvez tenha até sentido a insesatez no ar... "só ... mais ... um ... centímetro ... (...)Mas as penas levantaram-se em turbilhão, atrapalhou-se e caiu. "

     Ei. Ei! Estou falando contigo!

Leia um bom 'review' do livro clicando aqui