Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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domingo, julho 25, 2004

A falta do ciclismo

    Muitas vezes me vi cansado da rotina de treinos e bandas de bike. É um esporte exigente, o cansaço é constante, e ele toma bastante tempo na tua vida para ser praticado de forma eficaz. Isso acaba até afastando amigos queridos, impedindo outras conquistas. Até a necessidade (e não há outro jeito) de madrugar quase todo dia afronta diretamente a regra de compromissos sociais noturnos.
 
    Várias e várias vezes eu quis simplesmente parar de pedalar. Verdade é que, de fato, parei - e muito -, perto do que antes eu fazia. Competições de Mountain Bike já são um passado distante, de passeios eu já quase não participava, e por aí vai. Fui reduzindo cada vez mais, voluntariamente, o papel da bicicleta na minha vida.
 
    E só agora vejo o quanto ela me faz falta.
 
    Esses últimos dias - sobretudo o sábado e o domingo - foram fantásticos para se andar: temperatura perfeita, sol, sem vento, sem humidade. Tudo de bom. E eu em casa. Nos dois dias eu quase, mas quase mesmo, peguei a bike pra dar uma voltinha - meia hora que fosse! Mas me segurei. Não dá, meus joelhos doem muito mesmo em repouso.
 
    Foi realmente uma tortura, principalmente por causa desse enduro de hoje. Convites não faltaram, e a vontade de fazer uma trilha (já nem lembro da última -de verdade- que eu fiz) foi imensa. E eu vi, cada vez mais, o quanto tudo isso faz falta na minha vida.
 
    As viagens, os convites, os amigos, as aventuras. Acordar antes do sol nascer, passar um pouco de frio, sentir o calor do dia chegar. Pneu de speed bem cheio no asfalto liso (essa sensação é única). Conversar pedalando, de madrugada, quando tudo está calmo e vazio - e todos dormindo. Sofrer - suar, sentir as pernas doendo, sentir falta de ar (uma realidade para mim)... fazer força subindo serra - ah!, cheiro de serra! Vento, vento, mais vento, forçar o ritmo a 2 cm da roda da frente. O nervosismo de antes da largada, checar se está tudo em ordem. O hino, o maldito hino.
 
    Coisas até mais simples, como equipamentos corriqueiros - meus uniformes, o óculos, a sapatilha. Tudo me dá saudades e vontade de vesti-los mesmo para ficar em casa; eles são parte de mim. Tudo isso já é parte de mim, não dá para negar.
 
    Sinto falta até de ficar cansado, e ter uma verdadeira razão para dormir. O cansaço que o esporte causa é único, e sinto falta até das minhas tardes de domingo, em que às vezes tinha compromisso e mal me aguentava acordado. Sentir vontade de comer 500g de massa sozinho, de fato fazê-lo com satisfação, e depois ainda morrer de vontade de muito doce em cima. Sinto falta de deitar a cabeça no travesseiro com o sorriso no rosto que poucas coisas na vida me proporcionam - e a bike é uma delas.
 
    Nem Coca-cola sem a cara virada em charque tem a mesma graça...
 
    E, agora, só resta esperar. Médico só na outra semana e, até lá, mais e mais repouso.
 
    Uma grande e dolorida verdade sobre o ser humano: só damos real dimensão e valor às coisas na nossa vida (tanto às grandes quanto às pequenas) quando elas nos faltam.