Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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domingo, julho 25, 2004

Mais sobre mim e Luhmann

    Eu detestei o post das expectativas. É um texto longo, ruim, 'not smooth' - não tem 'início meio e fim'. Mas essa parte estética pouco me importa: eu simplesmente não consegui passar o que eu queria.
 
    Cheguei quase ao ponto de apagá-lo, mas refleti o seguinte: se estou fazendo este maldito blog, é jusamente para organizar o que eu penso, e não para seguir jogando tudo fora, como antes eu fazia. Mesmo as coisas ruins para algo hão de servir.
 
    Fato é que meu racionalismo exacerbado me impede de me dar por satisfeito com uma alternativa subjetiva e acidental. E, como eu já disse em outro post, o que amo na Filosofia é que ela me resgata dessa condição miserável. A fórmula, eu quero deduzir a fórmula!
 
    Em uma absoluta angústia ao debruçar-me e ensaiar sobre Luhmann, encontrei um artigo de um cara chamado Alex Viskovatoff, "Foundations of Niklas Luhmann´s Theory of Social Systems" (Philosophy of the Social Sciences, Dec99, Vol. 29 Issue 4, p481, 36p).
 
    Nele, o autor - russo - procura demonstrar que a análise dos sistemas sociais não pode se dar apenas no plano físico (objetivo) proposto por Luhmann, ainda que sejam sistema autopoiéticos (este é um conceito complexo, mas podem se contentar com 'autônomo', 'existente por si mesmo'). Que o sistema pode ser assim considerado é verdade, por todas as características descritas na teoria do alemão (não teria como explicá-las aqui); no entanto, faltariam dados para que ele fosse compreendido em sua totalidade.
 
    Segundo Viskovatoff, além da 'comunicação' (elemento chave para Luhmann), há mais dois a serem relevados. Observar padrões relativamente estáveis de comportamento volitivo leva à conclusão de que, ao estudar o comportamento humano, é necessário analisar um nível adicional ao que lida com fenômenos físicos (objetivo): os signos que compreendem os desejos e crenças das pessoas (subjetivo). O outro seriam as regras - sejam elas quais forem - enquanto não volitivas, enquanto não um resultado da vontade humana e independente dela (exceto as naturais, que se enquadrariam nos fenômenos físicos, é claro. Aqui se incluem alguns aspectos da linguagem, algumas regras sociais, etc.). Esses últimos podem ser alterados, sim, por comportamentos humanos - mas não são absorvidos e praticados voluntariamente. Minha opinião: em primeira visão, eu diria que são um sistema autopoiético em si.
 
     Bom, é difícil tentar expor isso tudo em um post de blog, até porque muita coisa nem eu entendi. Já li duas vezes o artigo, mas um texto filosófico traduzido do russo para o inglês e lido por mim neste idioma dificulta um bocado o aprendizado.
 
     No entanto, já na primeira passagem pelos escritos achei algo que acalmou meu desespero, que me mostrou que eu não estava sozinho: para se entender uma sociedade, é necessário que seja considerado o aspecto subjetivo humano, qual seja, "os signos que compreendem os desejos e crenças das pessoas".
 
     Realmente, eu não poderia ser o único a agoniar ao ver desconsiderada ao se estudar uma sociedade uma das características que mais influencia a vida humana: a capacidade de sentir dor, e a incapacidade de suportá-la indefinidamente.