Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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domingo, julho 25, 2004

O que esperar?

    "A expectativa é a mãe da desilusão"
 
    Escutei essa frase há pouco (poucas semanas ou poucos meses) e muito repeti ela, a mim e aos outros. De fato, é uma grande verdade - sabedoria popular, imagino. =)
 
    Me peguei pensando: para não haver desilusão, a solução é simples - basta que não haja expectativa. Logo, não podemos esperar que o sol amanhã nasça, ou que nossa casa permaneça 'de pé' durante a noite. Viver assim até pode ser possível, mas não consigo encarar como razoável - a não ser em um estado incrível de 'pureza' de alma. Imagino, aqui, os monges que, diga-se, realmente conseguem (até onde sei) viver 'sem desilusões'.
 
    Depois desse breve e infantil exercício, é encarado o seguinte problema: quanto esperar? Quanta expectativa, afinal, é razoável?
 
    Imaginei, logo, um psicólogo. Eles devem saber a resposta (e espero que algum contribua aqui). Mas minha filosofia racional me impede de conceber um conceito ad hoc, quero uma verdade universal - e coerente, como já professei.
 
    Luhmann é o que me vem à cabeça, quando se trata de expectativas. Lembro de uma palestra, sobre Direito Penal, a que assisti mais de uma dezena de meses atrás. Como não sou dos mais estudiosos da área, sequer lembro do nome do palestrante - mas sua teoria era baseada na teoria sociólogo alemão.
 
    Para explicar o que quero dizer com essas expectativas, uso um exemplo desse professor: ao atravessar um cruzamento com sinal verde, podemos esperar que os outros veículos pararão ao sinal vermelho, favorecendo nossa passagem (posso abordar, em outro post, a concepção do Direito como um redutor de expectativas, de acordo com essa teoria).
 
    Bom, quando o cara disse isso, eu dei risada e pensei, até em voz alta: "isso porque ele mora na Alemanha". Brincadeiras à parte, isso tudo somente demonstra que, em uma sociedade complexa e contingente, as expectativas são permeadas de inconfiabilidade (todos termos do sociólogo) - em maior ou menor grau, dependendo de seus indivíduos. Mas conhecer os indivíduos não é mais do que outro redutor de expectativas.
 
    Temos nossa série de expectativas, mas o mundo é contingente; logo há a possibilidade de errar - e a necessidade de assumir riscos. Quando encontramos outro ser humano, este também é dotado de sua gama de expectativas, e o mundo para ele também é contingente e complexo. Luhman chama esse 'encontro' de 'dupla contingência': “à vista da liberdade de comportamento dos outros homens são maiores os riscos e também a complexidade do âmbito das expectativas”.
 
    Sinto que isso pode ser um pouco mais complicado de expressar em um post do que eu imaginava. Então, indo ao ponto:
 
    Segundo Luhmann, há dois modos de lidar com expectativas frustradas: aprender com a experiência e desistir, para o futuro, dessa espera; ou continuar com a expectativa e seguir lutando contra uma realidade decepcionante.
 
    Sigo em meus estudos de sua teoria, porque quero captar isso mais a fundo do que faço. Entretanto, algo me choca: o autor não exprime uma só coisa - que isso dói. Ter uma expetativa frustrada dói, desistir de uma expectativa dói e, principalmente, encarar uma realidade decepcionante dói. Não é só uma questão sociológica ou jurídica (ou ambos) que está envolvida, mas todo um aspecto psicológico! Luhmann exemplifica casos e alternativas a quebras de expectaticas, cognitivas ou normativas, mas esquece da marca nos sentimentos que seguidas (ou mesmo uma) desilusão pode causar. E isso, não apenas influi nas deicisões cotidianas, mas também deve influir (não é só uma constatação empírica, mas um dever-ser, uma necessidade de inclusão na conceitualização). 
 
    A conclusão é uma verdade óbvia: a dor da decepção e suas consequências são inerentes à vida, principalmente à vida em sociedade.
 
    A questão é a seguinte: qual a saída? A meu ver: apenas adaptação - da pessoa (empírica) e da teoria (conceitual). Mais: até que ponto essa 'adaptação' pode ser mais do que simples conformismo ou revolta?
 
    Durma-se com um barulho desses... outra hora eu divago mais.