Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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quinta-feira, julho 22, 2004

Totens

    Certa vez aprendi, de fonte não segura, esta lenda sobre os totens: teriam sido concebidos por índios litorâneos, para que os protegessem dos trovões. Na realidade, os indígenas posicionavam os totens na praia, ou, no caso de tribos continentais, ao redor da aldeia. Como eram o ponto mais alto, essas 'estruturas' atraíam as descargas elétricas. Na visão dos índios, aquelas figuras do totem estariam lutando com os 'deuses' para que protegessem a eles e à sua tribo.

    Costumo usar essa analogia para refutar crenças fundadas em um empirismo superficial. Nunca me preocupei realmente se a tal lenda tem algum ponto de verdade ou não, porque servia propriamente aos meus propósitos. Até hoje. Refletindo acerca de quantos e quantos totens devo utilizar na proteção de meu mundinho fantasioso, resolvi ir um pouco à luta (leia-se, criar vergonha na cara e perder a preguiça) e descobrir isso de vez.

    Depois de um tanto de pesquisa e refinamento na internet (santo Google), acabei não achando nada do que eu queria, ou seja, não fiquei sabendo exatamente a origem dos Totens. No entanto, acabei me aventurando um bom tanto no estudo da filosofia indígena (norte-americana, porque dos outros há pouco material disponível ao pesquisador superficial e iniciante como eu).

    Confesso: não entendi muita coisa. Realmente, nossa mentalidade religiosa ocidental (por mais que eu tente me libertar disso dia-a-dia) não alcança vôos muito altos em valores estranhos à nossa cultura. Não sem muito esforço e estudo, ao menos. Mas uma coisa me chamou a atenção:

   Todos sabemos que o índio - e, quanto a isso, todos eles - possui uma ligação muito forte com a natureza. Interessante ver que ele se enxerga como parte homogênea do todo (aldeia-tribo-natureza), e não como algo destacado - que é a maneira que nós nos vemos. Não há, como na nossa cultura, um pressuposto de culpa e, exatamente por isso, não há um esperado retorno. A vida é agora, seja lá o que for. A morte não é encarada como algo transcendental, mas simplesmente como o fim de algo que 'é'.

    No sentido de unidade com a natureza, não há um ser superior, elevado. O índio não possui cerimônias ou rituais de 'adoração', nem pede a algum ser superior o que deseja. Apenas deseja. Há músicas de guerra, de súplica, de veneração; mas tudo à natureza, como um todo, como um todo homogêneo. Não se pede a alguém ou a alguma coisa para que os bizontes venham à planície, mas apenas se pede que venham, pois é o momento da caça.

    Pode parecer simples, mas essa concepção, para nossa cultura, dificulta o entendimento da amplitude do misticismo indígena. Este, em última análise, se caracteriza pela não separação dos 'mundos': não há uma divisão entre o que pode ser explicado e o que não pode, entre o ordinário e o 'sobrenatural', entre o que é sonho e delírio e a 'realidade'. Tudo é realidade - é um realismo extremo, em que as coisas simplesmente são como são; porém singelo, inocente.

    E eu com minhas dúvidas trazidas a respeito da sensação de sonhos em realidade... talvez já devesse ter aprendido mais com meus antepassados (tenho sangue bugre). E porque, aliás, não aprendemos essa cultura também nos colégios? Essa cultura de verdade, do jeito que ela é (ou, infelizmente, foi), e não como nos vendem os Hollywoodianos: índios agressivos e seus chefes feiticeiros.