Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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terça-feira, agosto 17, 2004

Ah, esse tal de tempo...

    A vida é uma eterna sucessão de despedidas. Deixamos para trás inúmeras coisas, o tempo todo, enquanto encontramos novas; até o dia que dizemos adeus, em definitivo, a nós mesmos.

    Cada vez que encostamos a cabeça ao travesseiro, no fim do dia, damos adeus a nós, para nascermos denovo no dia seguinte, para nos tornarmos outra coisa. Sim, há quem viva (a maioria) todo dia como se hoje fosse; todos os dias são só o presente até que o presente vire saudades. Mas que ninguém ouse chamar esses coitados de humanos!

    Sempre preferi os sentimentos reais à moda. Sempre achei melhor comprar uma caixa de cerveja e tê-las em casa com os amigos do que sair à noite com falsos amigos e buscar relações verdadeiras que jamais acontecerão - fora as com as drogas. Ok, ok, jamais diga jamais, pois há excessões. Mas estas só confirmam a regra.

    Discuti com um amigo que me disse com o tempo ficarmos mais tranquilos, mais 'moles' (segundo ele). Não, contestei: "ficamos menos idiotas". Passar a apreciar algumas coisas é um prazer que só o tempo nos dá. O jovem engole, enquanto o velho sabe degustar. A correria e a explosão de energias dão lugar à sensatez, à sabedoria e à absorção dessa energia.

    Ontem foi noite de degustar mais um dos vinhos argentinos que trouxe da viagem. Cabernet Sauvignon, safra 2004. Ainda não tinha experimentado, até que foi aprovada. Os outros que eu trouxe eram de 2002, já confirmada por lá mesmo. Todas cabernet - digam o que quiserem, mas não é nem parecida com a nossa.

    Depois disso, uma pequena degustação de licores: Charleston Folies, chocolate, menta. Queijo colonial. Essas coisas que um piá idiota não sabe apreciar, por mais que pense que sabe. E eu mesmo, na minha ingenuidade, no homo cogito sapiens que ainda sou, ainda desconheço. Mas vejo, e isso já é uma grande coisa.

    Nem o mate é mais a mesma coisa, qualquer dia eu explico.

    Tudo uma questão de tempo.

    Aliás, coisa que aprendi, já nas minhas primeiras indiadas mais longas: se não estivermos absolutamente parados, e estivermos na direção certa, um dia chegaremos lá.

    Incrível como demorei a passar isso para a vida. Mas chega. Cansei de me cobrar por não 'estar lá', por não estar em lugar nenhum. Não importa, foda-se. O que importa é não estar parado. É ver o horizonte, enquanto tantos vivem (vivem?) com a cabeça socada na terra.

    Cansei também de tentar ser feliz amanhã, quando atingir o que almejo hoje. Jamais atingirei o que quero e muitas vezes supero minhas expectativas. E que diferença isso faz? Não sou o que serei amanhã, mas tão somente o que vivo agora.

    E um brinde a isso.

    Esse texto não fez sentido nenhum? Mas faz, sim - mais do que imaginas.