Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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Local: Porto Alegre, RS, Brazil

sábado, agosto 14, 2004

Buenos Aires na visão de um artista (e algumas considerações culturais)

    Quando avistei as primeiras ruas estreitas, com árvores de ambos os lados da via tocando seus galhos secos no céu nublado, já respirei um ar ébrio de produção artística. A vontade era a de abrir a porta do carro, sentar em um café à calçada, e ouvir uma música, ou compô-la; ler um poema, ou o escrever; idem os romances. Ver uma dança, ou imaginar-me dançando à música ouvida ou composta. Assim é o ambiente.

    Uma das primeiras coisas que vi ao sair para caminhar foi uma livraria - não aguentei e entrei. Impressionante a quantidade de Nietzches, Wildes, Voltaires, Dantes, Goethes, Dostoievskis, Sócrates, Platões e outros dessas turmas todas que ficam à mostra para quem quiser vê-los. E comprá-los, claro. Não é preciso pedir ao atendente uma seção obscura do lugar para ter uma obra interessante, aparte dos 'best sellers do momento'; muito pelo contrário.

    Já estava com dois exemplares em punho, e apaixonado por outros mais, quando resolvi ter um pouco de lucidez e conhecer um pouco os outros lugares antes de sair comprando. Sábia escolha.

    A cada quadra há pelo menos uma livraria. Na Avenida 9 de Julho, nas proximidades da Corrientes, há uma enormidade de casas de 'sebo': uma ao lado da outra. Por falta de tempo, não pude me esmeirar na arte de fuçar todas e cada uma delas. De realmente interessante, encontrei um sobre a lenda do Rei Artur, e outro era o Quixote, de Cervantes. O primeiro descartei por ser de fonte obscura, além de não ter o mesmo charme das histórias semelhantes contadas em inglês; o outro, por estar um pouco já baleado e um pouco caro.

    Descobri uma livraria (Cuspide Livros) que possui 11 filiais apenas na Capital. Fui na maior que encontrei, e ali passei várias e várias horas, apenas desfrutando prazeres mil. Eles só não foram catalizados porque os livros eram todos muito, muito baratos: e eu estou curto de grana. A vontade que tinha era de levar tudo o que via pela frente, mas me limitei a alguns poucos mais interessantes.

    Os museus também chamam um pouco de atenção, mas não muita. No Museu Nacional de Belas Artes, há exemplares de Van Gogh, Rodin e outros tantos em permantence exposição. Uma das coisas positivas é que são, claro, separadas por movimentos, em ordem cronológica, e há um texto explicativo de cada período artístico - material muito valioso aos leigos.

     Tanto no museu quanto no Cemitério da Recoleta há visitas guiadas, em inglês e espanhol, que dão aos turistas ricas informações da cultura e história dos castellanos. O cemitério, por sinal, é um espetáculo a parte - primeiro fiz uma visita ao acaso, na qual já encontrei muitas obras e aspectos lindíssimas e muito interessantes. Mais tarde, me obriguei a voltar e assistir à visita guiada - uma aula inesquecível de história e arte (diga-se: o cemitério tem 5 hectares, e é quase unicamente ocupado por mausoléus, datados de 1820 em diante).

    A música é outro forte da capital argentina. E um charme e tanto. Em uma pizzaria rodízio (muito boa, por sinal), pasmem: eu estava ouvindo um jazz da melhor qualidade. Ao perguntar para a dona do local qual era a artista a cantar, ela não soube me dizer com precisão, achando se tratar de Norah Jones. Ao averiguar, viu que não era: ninguém mais que Eleonora Eubel. Não conhecem? Nem eu conhecia - é uma cantora argentina.

    Há muitos músicos pelas ruas, mas não uns meia-boca como os nossos. Gente boa. Música boa. Vi desde crianças quase de colo tocando violino, até grupos de cordas tocando jazz do início do século passado. Em São Telmo, bairro típico, no domingo, há algo que se assemelha ao Brique da Redenção - mas compará-los chega a dar pena. Tanto pelo tamanho, como pela qualidade dos ítens vendidos, desde coleções e antiguidades até miudezas em geral. Lá, ainda, é comuníssimo ver pianos, bem no meio da rua, sendo tocados! De um grupo de blues até uma pequena orquestra de tango, tudo com muito charme e uma boa dose de qualidade, tão raros por aqui.

     Eu já tinha me rendido; contudo, veio o golpe de misericórdia. No meu último dia, vi um folheto que assim dizia: "Festival Celta". Sim, isso mesmo! Era um festival de música com apresenações de música celta, celta medieval e tradicional asturiana. Quer mais? Só indo lá, porque há muito mais que não vi ou não escrevi aqui.