Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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sábado, agosto 14, 2004

Buenos Aires na visão de um ciclista (e alguns aspectos do trânsito)

    Quando entramos na cidade, eu ainda estava dormindo no carro. Ao acordar, me surpreendi com um mar de veículos automotores absolutamente imóveis - eram 8 horas da manhã e todos se dirigiam ao trabalho.

    A primeira impressão é esta: ruas largas e imensas para suportar uma demanda impressionante de trânsito. Chegamos a contar avenidas com 11 pistas - em apenas uma mão. Outra surpresa: táxis. Em alguns horários, não seria exageiro dizer que são 7 para cada 10 veículos circulando (isso na região central, é óbvio).

    Fazia realmente muito frio, aém de estar muito nublado e ventoso. Ainda assim, ao chegarmos ao centro, havia várias bikes sendo usadas como meio de transporte. A grande maioria delas são o que ouvi chamarem de 'beach cruisers': parecidas com uma barra forte da vida (mas mais novas) com um guidão muito, mas muito mas alto - conforto acima de tudo. Pouquíssimas tem marchas, e as que tem são como bikes saídas da Manlec.

    A poluição é absolutamente insuportável, e a frota de ônibus muito grande. No entanto, esta é um tanto caótica e desordenada, além de ser muito velha (e não apenas 'antiga'). O metrô é um serviço muito bom e funcional, além de barato (R$0,75 a passagem, aprox.) - é igualzinho ao nosso Trensurb aqui, mas subterrâneo e muito, mas muito sujo. Outro ponto contra é a quantidade de pessoas pedindo dinheiro e vendendo quinquilharias dentro dos vagões.

    As ruas são na graaande maioria retas e paralelas, como um xadrez (na região central, diga-se). A cidade é absolutamente (muito bem) planejada. Além disso, a engenharia de trânsito é bem organizada: uma rua vai, outra vem. Raramente sai disso e, se acontece, é por um bom motivo. Dirigir lá não é complexo por se perder ou por entender o trânsito (muito bem arquitetado), mas, sim, por causa dos motoristas: realmente loucos.

    Bom, louco é questão de ponto de vista - para eles, é muito normal dirigir assim. As linhas indicando pistas são meros enfeites e não há o mínimo hábito de andar reto. Os carros trocam de faixa o tempo todo (quando não andam entre uma e outra) e sem o menor aviso. E mais: sem querer nem saber se já tinha alguém ocupando aquele espaço. Tiradas de fino e alguns arranhões são até 'normais', e eles nem param por isso.

    Os ônibus andam, em sua maioria, em alta velocidade. 'Pisca foda-se' só não existe porque eles não usam o pisca, mas somente o 'foda-se'. Se vocês acham os motoboys daqui um inferno, deveriam ver os de lá. Tanto ônibus quanto motos andam o tempo todo buzinando, pois há pedestres seguidamente se atravessando na frente - e eu até agora não entendo como não vi nenhum acidente sério, juro.

    À medida em que os dias foram passando, o sol foi aparecendo e a temperatura subindo... sim, isso significa mais e mais bikes na rua. Mesmo no inverno (com temperaturas, nesses últimos dias, equivalentes às de Poa, ou seja, amenas) o número delas é muito grande. Detalhe: não há quase estrutura para circularem; quase, porque uma das maiores avenidas da cidade, a Corrientes (muito tradicional) tem uma pista preferencial para bikes (pista MESMO, do tamanho das outras). Os carros podem circular por ela, mas com limite de 40km/h e dando preferência ao ciclista - o que realmente ocorre.

    Quando falo de falta de estrutura, o que mais chama a atenção é a falta de estacionamento: elas são todas deixadas na rua mesmo. A coisa mais comum de se ver são bikes amarradas a tudo o que não se mexa: postes, placas, propagandas, paradas de ônibus, tudo. Eles vão amarrando, tomando a calçada mesmo - e a bagunça é completada pelas motos, que são igualmente estacionadas em cima do passeio, às vezes até com alguma organização acidental. Tudo muito normal, claro.

    O fato de os motoristas tirarem finos dos ciclistas constantemente não assusta, já que eles tiram fino e tocam por cima de absolutamente tudo. Educação zero, a coisa mais comum é a impaciência e a mão na buzina a cada atraso ocasional, por qualquer motivo. Ainda assim, é comuníssimo ver muitas mulheres também utilizando a bike para cima e para baixo, no meio da confusão toda, sem nem dar bola. Detalhe: niguém usa capacete (nem mesmo muitos dos motoqueiros). Eu, sinceramente, teria muito medo de pedalar lá em um horário de mais trânsito - e olha que nem reclamo tanto de andar em Poa e arredores.

    Bikes de corrida, só vi duas. E uma delas sendo usada por um indivíduo que, certamente, não corre. Mountains boas, outro tanto: muito, mas muito poucas, definitivamente. No entanto, as lojas de bike são magníficas! Fui a duas lojas pequenas (do tamanho de uma bike tech), mas que eram absolutamente abarrotadas de coisas. Tudo, tudo, tudo. Mas tudo mesmo. Qualquer coisa, eles tinham uma balança para pesar o que o cliente quisesse. Malhas, na boa, dezenas e dezenas de tipos, cores e jeitos, de tudo quanto é equipe, de seleções, lisas, tudo. Bermudas idem. Luvas, outro tanto. Equipamentos em geral, tudo. Bombas mil, pneus horrores, capacetes, e por aí vai. Não tem essa de ir na loja e não conseguir gostar de alguma coisa.

    Preços, nem tão bons. Tudo o que é importado está mais caro que aqui. Não muito, mas um bom tanto. As malhas e bermudas são nacionais (como as nossas GB) e custam de 20 a 50% mais caro que aqui. No entanto, a qualidade é fantasticamente melhor. O tecido é muito superior, e as estampas são absolutamente fiéis às equipes - coisa que aqui não acontece.

    Outra coisa que chama atenção é a estrutura para o frio. Casacos, jaquetas e etc., tudo especificamente para o pedal (quase tudo com bolsos nas costas, por exemplo), abunda e é barato. Os casacos maravilhosos da Nike, que o Lance usa para terinar no inverno (quem já viu ele treinando no inverno sabe do que estou falando) custam a bagatela de R$90,00. E, para deixar-nos mais tristes (para não dizer invejosos), há dois tipos: um, mais fino, para corta-vento e outro, com um pequeno apeluciado dentro, para abrigar do frio intenso. Ambos impermeáveis. Já quebravam o galho de muita gente por aqui, né?