Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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quarta-feira, outubro 06, 2004

Lado a lado

    Eu realmente não gostaria de ficar escrevendo sobre mim: sobre minha personalidade, minha vida particular. Não foi para isso que fiz o blog. No entanto, a discussão tem sido levada para esse lado, e não vou evitá-la.

    Isso não só porque eu não gosto de me expor (e não gosto, pasmem), mas também porque acho desinteressante ficar falando de mim.

    Mas... vamos lá. Para não perder o costume: em comentário no post anteror,

    "Como vc consegue afastar quem te faz bem ou que vc julga positivamente? Isso parece tão contraditório para mim! Mesmo vc considerando sua personalidade a causa natural da distância entre vc e quem vc gosta, não seria uma boa causa(gostar de alguém) para agir DIFERENTE? Ser mais acessível com elas? Mostrar interesse?
    Eu não consigo compreender... deve ser agoniante!"


    Quanto às duas primeiras frases: contráditório? Por quê? Podes achar 'ruim', em termos valorativos. Agora, para me convenceres de que é logicamente contraditório, vou te exigir - no mínimo - argumentos lógicos.

    Se quisestes dizer 'ruim', posso, por outro lado, te mostrar mil motivos pelos quais afastar mesmo quem julgo positivamente possa ser algo 'bom'. Mas acho que também não é a resposta que queres (é que não deixaste claro mesmo).

    Eu não disse que afasto todas as pessoas, apenas algumas. Considerando que tenhas entendido corretamente o que eu escrevi, estás partindo da premissa: "ter muitas pessoas 'boas' na tua vida é 'bom'". Terás que me provar verdadeira essa premissa, se quiseres seguir discutindo por este caminho. Também não sei se é o que queres, mas eu certamente discordo dela. Como é quase um 'tabu social', eu, no máximo, poderia refutá-la com bases empíricas. Mas, de uma forma ou de outra, seria indispensável uma análise teleológica da própria vida em geral (e já são raríssimos os que a fazem) e substancial do conceito de amizade.

    Três hipóteses: ou já fizeste isso e não estás repartindo comigo (o que eu gostaria que fizesses, com certeza - e acho que não sou o único); ou estás escrevendo intuitivamente, sem ter a mínima idéia da profundidade do tema ou das tuas palavras; ou minhas afirmações, no mínimo, não deveriam ter te espantando (ainda que pudesses discordar delas).

    Bom... saindo do plano teórico e entrando na minha vida (a parte que não gosto de fazer, mas é por uma boa causa): o que eu quis dizer com 'afastar' as pessoas que considero valiosas, é simplesmente não tê-las tão próximas quanto gostaria. E talvez mesmo nisso eu queria demais (sou perfeccionista, quero demais a tudo): talvez seja impossível ter a todos que eu quero, tão próximos quanto eu gostaria. Mas, enquanto eu não os tiver, estarei pensando que não estão próximos o suficiente.

    Esse é um dos problemas de querer ter tudo sempre. Já fui ciclista-motociclista-universitário-músico-bancário-namorado, tudo ao mesmo tempo, tudo na mesma época. E a nada disso encarei como 'brincadeira', nada foi esporádico: me dedicava muito a cada uma - e nem mencionei o que gostava de fazer eventualmente, junto com tudo isso, para 'descansar', ou com caráter lúdico. É difícil ser 100% em tudo. Aliás, acho que essa é a 'mijada' que mais ouço dos que são realmente próximos de mim, e não lhes dou ouvidos. Espero jamais dar.

    Agora, quanto a ser agoniante? É, às vezes é. Ou nunca tiveste alguém de quem gostavas que, por um ou outro motivo da vida, foi afastado? Aposto ter sido agoniante para ti, também. E duvido quem jamais tenha passado por isso. Muitos consideram se afastar de antigas amizades 'um fato natural da vida'; talvez o que tenha colocado essa questão em evidência é que eu dou importância (e demonstro dar) a isso, enquantos outros seguem vendo TV.

    Há algumas poucas pessoas que conseguem me ver como eu realmente sou. São poucas, são realmente muito poucas. Mas esses são os meus amigos de verdade, e estão do meu lado sempre. Estão todos no meu quarto, agora, me ajudando a escrever este post.

    Algumas que julguei positivamente acabaram afastadas? Sim. Pelo mesmo motivo pelo qual agora não diriges uma Mercedes e não tens uma cobertura triplex com piscina térmica coberta: não se pode ter tudo sempre. Algumas coisas estão além dos dedos; outras chegam a tocá-los, mas nos escapam.

    Y así pasan los días.