Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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segunda-feira, outubro 04, 2004

Mediocridade

    Obrigado pelo comentário; mas, principalmente, pela pergunta.

    Sim, seguir padrões da sociedade é mediocridade. Principalmente se isso for 'impensado', se não for consciente e refletido.

    Para saber como 'não ser', primeiro é preciso saber o que 'é'. Medíocre é um conceito relativo, e não absoluto - e isso é o mais importante. É sinônimo de 'mediano', ou seja, o homem medíocre é o homem médio, o homem mediano. No entanto, há uma carga negativa trazida pelo termo. Assim como são seus sinônimos o 'comum', o 'ordinário' e o 'vulgar'.

    Então, enquanto ao dizermos 'homem comum' ou 'homem médio' nos parece algo não muito ruim, o homem ordinário, homem vulgar, homem medíocre - todos são desprezíveis. São adjetivos que já trazem em si uma carga bastante depreciativa, ainda que não signifiquem algo necessariamente depreciativo (por serem relativos/comparativos).

    Temos uma tendência absolutamente natural de pensar não ser suficiente algo 'comum'. Por melhor que seja esse 'algo'. Ao adjetivar com 'comum', nos traz a impressão de "só isso?", não? Então: 'ouro comum'. Ora, é ouro, é valioso... mas... é comum. Uma 'jóia comum'. Existe isso? Não sei; entretanto, se existir, parece algo bem sem graça e sem sentido.

    Como não ser medíocre? É tão simples quanto lógico: não sendo 'comum'. Não sendo 'mais um'. Basta observar as características de um 'homem comum', do 'homem médio', e fugir delas. Como o diabo da cruz.

    Isso é necessariamente bom? Não. Voltamos à questão do conceito relativo. Isso só é bom se considerarmos a massa humana como ruim. Se o ser humano fosse essencialmente bom, ser um ser humano medíocre também o seria.

    Por isso, tento traçar em alguns textos o que eu considero mediocridade. O que eu considero como o comportamento padrão do homem comum. Como considero o ser humano como desprezível por natureza, fugir disso é necessarimente bom - seja para alguma coisa boa ou ruim. Não ser medíocre é ser diferente do ordinário, em qualquer sentido que seja. Por óbvio.

    Quem me conhece sabe: a característica que penso ser a mais acentuada do homem médio é a preguiça. Não confundir com aquela preguicinha de domingo à tarde, com a coisa boa que é dormir de vez em quando até meio-dia.

    É a preguiça de viver. Preguiça de pensar, de refletir. Medo de passar trabalho, de se esforçar pelo que quer que seja. É a falta de interesse de se tornar, amanhã, qualquer coisa melhor do que é hoje. E de fazer isso pelo simples prazer de ser algo melhor. É viver por viver, sem objetivo, é cair na mesmice. É nem saber direito por que está vivo e sequer parar para pensar a respeito. É falta de ter visão, de fitar o horizonte, e não os próprios pés ou, pior, o umbigo.

    Essa história do desenvolvimento pessoal daria origem a toda uma outra discussão, toda uma outra colocação. Não vou fazer isso agora, aos poucos vou largando a pimenta por aqui. Acho que à questão colocada, já tangenciei uma resposta, não? O resto é com cada um.

    Para ilustrar, um texto. Já que ninguém acertou o outro, este está acumulado: vale quatro balas. Seis para quem acertar os dois.

    "Quando desprezais o que é agradável, a cama fofa, e quando nunca vos credes bastante longe da moleza para repousar, então assistis à origem da vossa virtude.
    (...)
    Essa nova virtude é poder; um pensamento reinante e em torno desse pensamento uma alma sagaz: um sol dourado, e em torno dele a serpente do conhecimento."