Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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Local: Porto Alegre, RS, Brazil

segunda-feira, outubro 25, 2004

Tá foda

    Esse paisinho está foda mesmo.

    Eu farto de notícias de roubos, assaltos, estupros, sequestros e o caramba. E olha que nem leio mais jornal - tudo notícia de conhecidos. Essas coisas já nem saem mais nos noticiários, só aparece lá quando morre gente - de preferência, várias.

    Estava eu no escritório, aguardando para falar com minha mãe (que estava ao telefone). Para quem não sabe, ele está situado de frente, com uma sacada para a rua; esta, por sua vez, é de paralelepípedos, com uma curva forte.

    Os acidentes aqui são frequentes. Gente que não está acostumada a dirigir em paralepípedos molhados costuma passar reto na curva - tanto que já instalaram até guard-rails. E hoje estava chovendo.

    Quando ouvi a derrapagem (característica desse tipo de solo molhado, bem diferente da ocasionada pelo asfalto) já pensei: mais um. Deu um primeiro estrondo, provavelmente nos tais guard-rails. Isso me deu tempo de olhar para a rua - qual não foi minha surpresa quando se aproximava da minha casa, ainda em movimento, uma caminhonete em velocidade e desgovernada.

    Ela subiu a calçada, com as rodas travadas - mantidas assim por muito tempo - e sem controle. Andou ainda um pouco, chocou-se com um carro estacionado na rua e seguiu em movimento, até terminar de frente com um poste - que fica exatamente diante da minha janela.

    Não dei tanta bola assim - apesar da alta velocidade do condutor. Esse tipo de coisa - infelizmente - já é normal, e nem chama mais tanta atenção. No entando, quem estava ao volante ficou insistentemente tentando fazer a caminhonete andar - o que não acontecia. Alguma coisa na transmissão quebrou, pois ela acelerava (e o cara acelerava forte), mas não se movia. Nisso eu, que já tinha me afastado um pouco da janela, voltei a cuidar o que estava havendo.

    Qual não é minha surpresa quando abre a porta do carona (a do motorista estava obstruída) e saem dois indivíduos de dentro. Dois jovens, não mais que 20 anos, com uma certa pressa - ainda que sequer corressem. Um deles fumava, o outro, de boné - apesar de não estarem mal-vestidos, certamente as roupas não eram condizentes com o veículo que dirigiam.

    Falei para minha mãe: esse carro é roubado. Os dois saíram simplesmente caminhando minha calçada afora, em direção à praça que há aqui perto. Da janela do edifício do outro lado da rua, já ouvi alguém gritar que o carro devia ser roubado. Seja como for, tarde demais: os dois ocupantes já tinham ido embora, calmamente - tranquilamente fumando seu cigarro.

    Isso já faz mais de meia hora. A caminhonete segue atravessada na calçada e encaixada no poste, o outro carro segue ali; de diferente, apenas alguns curiosos vieram, espiaram, foram embora. A dona do carro batido, minha vizinha (vejo ela seguidamente) ainda não apareceu. Mas o mais incrível: a polícia, chamada na hora do acidente, sequer deu as caras.

    Liguei denovo para 190, e fiquei sabendo que havia um registro de roubo a estabelecimento comercial na minha rua, quase na mesma hora. Ou é muita coincidência, ou os babacas usaram este veículo (uma caminhonete de ótimo desempenho) para a fuga. Azar o deles que não sabiam dirigir em paralelepípedos.

    No entanto, de um jeito ou de outro, saíram numa boa, impunes. De novo, provavelmente. E não há muito a ser feito, pois sequer a autoridade policial aparece onde é chamada.

    Quanto um amigo meu, estrangeiro, visitou Porto Alegre, me disse: "não é à toa que vocês têm problema com criminalidade: passamos o dia andando por aí e não vi sequer um policial". Eu, irônico, respondi: "impressão tua, é assim mesmo: se chamados, em no máximo meia-horinha eles aparecem!".

    Pois dou o braço a torcer e mudo meu conceito: nem mesmo em meia hora.

    O mais incrível? Já fiz o que eu tinha para fazer, escrevi o post, revisei, já vou publicá-lo; e, da polícia, nada. Segue tudo igual ali fora.

    Seria hilário se não fosse a nossa desgraça.

    É... tá foda.

    Só para largar pimenta: depois falam mal de se ter arma em casa, ou porte - estuto do desarmamento e o caralho. Eu realmente acho que ser comum portar armas somente aumentaria a violência do próprio assaltante, que tomaria lá suas precauções. No entanto, com esse tipo de situação, fica difícil justificar viver desse jeito. Quando dizem que estamos à mercê, não é nem um pouco uma inverdade. Eles fazem o que querem e, a nós, só basta agradecer por nenhuma desgraça ter acontecido.