Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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quarta-feira, outubro 20, 2004

Um lindo arco-íris (por que não um novo paradigma pós-moderno?)

    Lá vou eu me afundando denovo na minha 'filosofia clínica pessoal'. Mas, também: quem lá não gosta de dar uns suspiros de vez em quando?

    Logo eu, que estou sempre encontrando razões para reclamar da superficialidade de tudo; desta vez fui ao encontro de algumas passagens de outro alemão para mais alguns afagos.

    Primeiro, apresento o lado romântico do autor: "O apego ilimitado à vida, que se mostra aqui, não pode provir do conhecimento e da reflexão; bem ao contrário, à luz de um exame ponderado, tal apego parece insensato, pois o valor objetivo da vida é bem incerto, e é pelo menos duvidoso se à ela, a vida, não seria preferível o não-ser."

    Sim, sim: é pra dar vontade de se matar mesmo. Coisas da época...

     Gostam de chamar o cara de pessimista. Mas para que? Quem mostra a verdade - às vezes ruim - é pessimista? Nessas horas eu mesmo me chamo de realista, isso sim.

    Mas nem tudo está perdido. O filósofo em questão não defende que a vida não tem qualquer valor; pelo contrário, ela tem um valor tão grande que sequer o vemos (isso ele não diz, eu é que agora o interpreto, trazendo aos tempos modernos). A questão é: retirar a visão do umbigo do indivíduo, e tentar levá-la ao coletivo.

    Aliás, que colírio ver uma visão tão ampla, tão 'transindividual'. Camuflada, é verdade. Desengonçada, eu diria, até. Mas está lá. O embrião do que deveria ser esfregado nas nossas caras está lá.

    Está ali o que os gregos já nasciam aprendendo. Cresciam ouvindo. Viviam praticando. E do que esquecemos, por motivos que rabisco adiante.

    E o que é essa mágica toda? Simples: que há coisas no mundo mais importantes que 'eu'. Há coisas mais importantes até que a minha vida! Pasmem!

    Ouço, neste momento, gritos de horror. Olhos arregalados, ranger de dentes! É o fim dos tempos!

    Não, é o ridículo no qual nos enfiamos, e parece querermos afundar cada vez mais. É o ridículo de cada um não ver que há coisas mais importantes que tudo o que podemos ver. Tudo o que podemos sentir. Sim: há coisas mais importantes que a tua vida. E deverias estar preocupado com aquelas, e não com esta!

    "Assim, à concepção puramente empírica, mas objetiva e imparcial, de uma tal ordem das coisas, deve-se seguir o pensamento de que essa disposição [morte] é apenas um fenômeno superficial, e que esses incessantes nascimentos e mortes de forma alguma concernem à raiz das coisas; eles não são mais que uma maneira de ser relativa, e que a existência íntima e sempre misteriosa de cada coisa, furtando-se por toda parte ao nosso olhar, não é atingida, mas antes se mantém ao abrigo de todo ataque. (...) Desse modo, o que a morte é para a espécie é o que o sono é para o indivíduo."

    E daí chamam o cara de pessimista. Claro, quem o interpreta pensa: então, se a vida não tem valor nenhum mesmo, vou me atirar aqui pra trás e esperar a morte chegar. Aliás, por que não buscá-la agora mesmo?

É visível a ótica pessimista das afirmações no sentido de que a vida, dentro do todo, não tem qualquer importância. Mas essa é uma interpretação vil da sua filosofia. Não vejo, em nenhum momento, ele mencionar que não há 'qualquer' importância nas nossas vidas. Pelo contrário!

    "As gotas de água de uma catarata estrepitosa se dissipam como pó com a rapidez de um raio; mas o arco-íris, do qual elas são como que o suporte, está fixo em tranquilidade inabalável, completamente intacto a essa mudança ininterrupa; do mesmo modo, cada idéia, isto é, cada espécie de ser vivente, persiste por completo intocada pela sucessão contínua dos indivíduos que ela encerra. A idéia, ou a espécie, é a raiz, o lugar onde se manifesta a vontade de vida: é o único elemento cuja duração importa verdadeiramente à vontade."

    Querem mensagem mais bonita que essa? É uma mensagem de uma visão mais ampla, da visão do todo que é a sociedade, e não de cada umbigo.

    Eu sei, eu sei. O coletivo é uma visão típica da época. Houve um tempo em que o coletivo foi massificado, e o particular foi esquecido em prol daquele. O liberalismo talvez possa ser visto como uma tentativa de levar valores particulares a uma obtenção de resultados coletiva. No entanto, é até certo ponto ingência, pois descarta a possibilidade de esses valores individuais serem extremamente prejudiciais ao todo. A deturpação da teoria foi o início do fim, foi o carimbo no passaporte rumo ao egoísmo infinito. Era a desculpa que se precisava para mandar o outro se foder.

    O mundo, hoje, pós-moderno, traz uma defesa e uma sublimação do individual, dos valores de cada um. O coletivo não pode mais atropelar o individual, o íntimo de cada um. Nada contra. Mas estamos focando só na gota d´água. Em cada gota. No seu formato, sua velocidade, sua composição. Ninguém mais quer ver o arco-íris! Aliás, ninguém está se lixando para o arco-íris!

    Na verdade, acho que ele nem mais existe. Se alguém pudesse olhar o que, coletivamente, formamos... não seria algo bonito, I must say. E alguém sequer pensa nisso?

    Não seria o caso de a tão-falada pós-modernidade olhar, como faz, para cada gota, mas no sentido de investigar o que ela pode trazer - com suas características individualíssimas - de positivo para a formação do mais lindo arco-íris já visto?

    Bom, o post já está ficando longo demais. Eu sei que ele está uma merda, é só um brain storm, não é uma teoria pensada. São só algumas idéias que estavam martelando, as quais reparto com vocês. Conto com os comentários de todos para conseguir ir adiante, preciso da dialética.

    O filósofo de quem falo neste post: Schopenhauer, para quem ainda não tinha pegado. Os trechos podem ser encontrados em O mundo como vontade e representação, Suplemento ao livro quarto, capítulo XLI.

    Eu não acabei por aqui, é só um 'coffee break' (tá na moda isso, né?). Vem mais na sequência, e vai ser ainda pior.