Título para que? Sou eu...

Sou eu, exposto aqui.

Um bom tanto de mim quer explodir. Ao invés de permitir o desperdício dos meus espasmos de criação inútil, prefiro deixá-los por aqui, para quem quiser me conhecer. Também é uma forma excelente de tentar organizar um pouco meus pensamentos, tão confusos.

Será melhor ainda se vocês puderem me criticar, e muito: pois só assim cresço.

Conto, então, com a ajuda de todos.

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domingo, junho 19, 2005

Vários

    E aí, galera!

    Valeu pelos comentários, passo a conversar a respeito. Essa é a idéia da coisa aqui, agradeço a todos (principalmente aos que se identificam, claro).

    Vou começar com os comentários lá do "Coisas que Aprendi", logo abaixo:

"Não sei se errar sem pedir desculpas é ser considerado humano...Pelo menos para mim não faz sentido algum.
O pedido de desculpa é uma forma de se redimir, até mesmo quando não se pretende reparar totalmente o erro. É o simples fato de reconhecer que errou que te torna humano e demostra o mínimo de compaixão por quem te considerou positivamente em algum momento"


    O pedido de desculpas é sempre uma forma de se redimir? Não pode ser para aliviar a própria dor, também? A própria culpa?

    Nunca erraste sem pedir desculpas?

    E se te consideras correta, e todos os outros acham que estás errado(a)? Estás errado(a)? E, se estiveres, o fato de não pedir desculpas por isso te descaracteriza como humano(a)?

    E, se não reconheço meus erros, deixo de ser humano? O que eu me torno? ...?

    Se mudares para a 'capacidade de reconhecer os erros', aí até posso concordar. A capacidade de reconhecer os erros pode ser algo essencialmente humano. Mas reconhecer um erro não implica em pedir desculpas. Nem em se arrepender - atenção nisso.

    Quanto à compaixão: pelo teu raciocínio, se eu não tenho compaixão, não sou 'humano'. Sinceramente: isso, para mim, soa católico demais. Cuidado com valores católicos impregnados em raciocínios. São valores que, exatamente, pressupõem raciocínios.

    Então, se eu excluir qualquer tipo de compaixão da minha personalidade, eu deixo de ser humano? Eu posso até me tornar um ser humano mal, ou um mau ser humano, mas por que eu deixo de ser humano?

    Sinceramente: ainda que se possa dizer que compaixão seja um traço de personalidade essencialmente humano, não acho que seja o que me 'torna' humano - excetuando-se uma visão cristã (e muito restrita).

    E aí vem meu outro comentário (desculpa se foi muito curto): "E a crueldade não é essencialmente humana?

    Sim, porque considero a crueldade uma característica tão humana quanto a compaixão. Outra vez: a não ser na acepção católica, em que dizemos estarmos sendo 'desumanos' quando somos cruéis. Sim, somos desumanos, mas não deixamos de ser humanos - pelo contrário.

    São duas acepções completamente diferentes da palavra 'humano' (dentre muitas possíveis de serem levantadas); e eu prefiro afastar a que tende a nos ver como um rebanho de ovelhas. Até porque, entre elas, há os pastores (para bom entendedor, meia palavra basta).

    Sobre a crueldade, outro comentário: "É humana, enquanto o humano age, de certa forma, irracionamente...Reconhecer o erro é como voltar à razão, porém, vc deve tirar algum valor dele."

    Então quer dizer que eu não posso, racionalmente, errar? Não posso ser racional e, ao utilizar minha razão, errar?

    Olha... a primeira coisa que me vêm à cabeça nesse raciocínio é 'terapia de casais'. Não podes tentar ao máximo fazer a coisa certa e, ainda sim, errar?

    E não posso, nesse contexto, e tendo racionalmente errado, agir irracionalmente e, de forma passional, abrir mão das minhas convicções e pedir desculpas ao parceiro? Posso. E isso não é humano? Nâo acontece dia-a-dia? Estarei fazendo o contrário do que sugeriste: sendo racional no erro e irracional nas desculpas.

    E cai por terra o que falaste.

    Outro (sobre frase que escrevi no orkut): "Errar é contigente, insistir no erro é humano... eu não vejo as coisas assim. Só para movimentar um pouco. :P

    Agradeço a iniciativa. Mas não quero ficar explicando: isso não é uma frase científica, mas artística. Sem querer entrar em teorias estéticas, acho o bonito da arte justamente a capacidade de marcar a cada um de uma forma. Então, por que não dizes como vês as coisas (se não assim), e conversamos a respeito?

    Último, sobre o último post: "A crise moral também é sua?"

    É uma pergunta bem complexa de ser respondida. Eu diria que sim, e simplesmente porque não fiz a opção de nenhum 'pacote moral'. Não sou comunista ou liberal sem dúvidas. Não sou católico ou budista por inteiro. Eu não tenho uma resposta para todas as perguntas 'certo ou errado' que podem surgir.

    Logo, sim, a crise moral é minha. Eu sou uma crise ambulante. Posso discutir várias teorias morais aqui, e o porquê disso, mas é fato. Aceito visões diversas (e explicaria e exemplificaria algumas, mas não estou com saco), mas fato é que eu simplesmente não tenho certeza. Não sei se o aborto deve ser legalizado em qualquer circunstância. Não sei se ligação induzida de trompas é um caminho ético. Não sei se algumas guerras (por exemplo, uma guerra contra a injustiça) podem ser facilmente justificadas. Não sei. Simplesmente não sei.

    Mas a pior crise não é essa. A crise pior é que, assim como eu, ninguém sabe - mas todo mundo tem opinião.

    Ok, alguns céticos (como eu seguidamente me auto-intitulo) podem dizer: "não sei se o casamento homossexual é ético ou não, mas nem quero. Eu elegi algum político, e ele que decida por mim" (ainda que, na prática, quem decide é o juiz - não-eleito e que, muitas vezes, nem sabemos como pensa). Mas isso não é problema: o não se importar é uma liberalidade que não causa tanto dano (ao contrário do que alguns pregam, depreciando a alienação).

    O que causa dano é quem age como se soubesse. Quem age como se fosse o dono da verdade. Quem não está aberto ao debate.

    Não se discute mais a respeito de possibilidades. É uma questão de pontos de vista opostos - e um cabo de guerra. Foda-se a dialética, isso é coisa de 2.500 anos atrás!

    Aliás, os debates já não são nem sinceros mais. Mas isso é um ponto longo a ser discutido.

    Mas quer saber quem me incomoda mais ainda? Os que sequer enxergam tudo isso. Os que estão trabalhando, dirigindo, amando, tomando uma cerveja - e não estão sequer se dando conta de que há problemas a serem resolvidos.

    Veja bem: não é uma questão de não querer resolvê-los, é não saber e ver que existem (às vezes por ignorância, às vezes porque acha que já está resolvido, que não há o que resolver - um 'dono da verdade' um pouco mais exacerbado).

    Esse pra mim é o problema. Porque ele perde o respeito. Ele deixa de respeitar a sociedade, e deixa de respeitar ao próximo. Afinal, não há problema, não é mesmo?

    Claro que esses pensamentos precisam de muito mais profundidade. Há umas quantas falácias aí, eu sei. Umas quantas conclusões e induções sem premissas. Há, enfim, uma boa dose de 'achismo'. Mas, afinal: isso aqui é um blog, não uma publicação acadêmica. Se eu não tiver aqui para 'chutar' e meus amigos para críticas construtivas, vou fazer o que da vida, afinal?!?!?


ps: eu sei que nada disso que eu falei justifica, no final, o fato de eu estar em crise. Mas é que: (1) de uma forma ou de outra, como vivo em uma sociedade (ou tento), esses problemas me afetam. E muito mais diretamente que muitos pensam serem afetados; (2) eu simplesmente não consigo ser egoísta e individualista o suficiente para não me sentir mal pelo problema em geral.